A visita do presidente brasileiro Jair Bolsonaro à Rússia ainda está sendo preparada pelos lados, notificou hoje, terça-feira (1º), o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov.

“No tocante aos contatos russo-brasileiros, estes também estão na fase de elaboração, na fase da preparação. Depois de nós agendarmos as datas certas, vamos divulgar um comunicado oficial conjunto com nossos parceiros do Brasil”, disse Peskov aos jornalistas, respondendo a uma pergunta sobre a viagem de Bolsonaro a Moscou.
Anteriormente, a Folha de São Paulo informou que os Estados Unidos têm pressionado o governo brasileiro para que o mandatário cancele sua viagem à Rússia em meio às tensões em torno da Ucrânia. A visita de Bolsonaro está programada para meados de fevereiro. O presidente russo Vladimir Putin convidou o líder brasileiro para visitar a Rússia em dezembro de 2021.
Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro em Brasília, 28 de janeiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 31.01.2022

O primeiro vice-presidente do Comitê dos Assuntos Internacionais da câmara baixa do Parlamento russo, Vyacheslav Nikonov, considera que Washington tenta impedir a aproximação entre a Rússia e o Brasil, mas reiterou que a visita de Bolsonaro deve acontecer.
“Os Estados Unidos estão praticando uma diplomacia global destinada ao isolamento da Rússia […] Aqui também [se inclui] o Brasil, ao qual se atribui grande importância”, escreveu o deputado no Telegram.
O parlamentar relembrou que o Brasil é membro do BRICS e acrescentou que antes os EUA não conseguiram influenciar a reunião entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que ocorreu “de uma forma muito positiva”.
“Agora eles visam ao Brasil, um país-chave da América Latina. Bolsonaro é um político de direita, que simpatizava mais com Trump do que com Biden. Nesse contexto, o presidente do Brasil pode demonstrar independência, mesmo que, certamente, ele esteja menos inclinado para uma parceria com a Rússia do que seus predecessores.”
“De qualquer forma, os laços entre a Rússia e o Brasil vão se desenvolver, e acho que Bolsonaro virá aqui”, manifestou Nikonov.
O político apontou que os Estados Unidos organizaram múltiplos golpes nos países latino-americanos para controlar o ambiente político em cada um deles.

“Nem tudo dá certo, mas instruir a América Latina sobre o que devem fazer em relação ao nosso país é uma antiga tradição americana. Precisa ter isso em conta”, resumiu.