Empresa vem perdendo relevância e por isso quer obrigar grandes plataformas de tecnologia a pagar por seu conteúdo, diz Leonardo Attuch, editor do 247

 

Como fundador e editor de um dos mais importantes sites independentes de notícias do País, o Brasil 247, com 11 anos de atuação no mercado, e da TV 247, discordo frontalmente do tom e do conteúdo da posição adotada pelo deputado Orlando Silva no debate sobre fake news.

O PL das Fake News, que deveria evitar a desinformação nas eleições de 2022, acabou se convertendo também num projeto de regulação das big techs – o que é necessário. Mas um dos seus pontos, que trata da remuneração do conteúdo jornalístico, precisa ser melhor debatido.

Hoje, quem pressiona pela urgência na votação deste projeto, utilizando todos os seus veículos e editoriais, é o grupo Globo, cujo histórico de manipulação política e eleitoral é conhecido por todos os brasileiros minimamente conscientes.

A Globo tem pressa porque vem perdendo relevância. Por isso defende que o Brasil adote um modelo de remuneração de conteúdo semelhante ao da Austrália, que favoreceu um dos grandes monopólios de comunicação mundiais, que é o de Rupert Murdoch.

Qual é a urgência da votação deste tema agora, no apagar das luzes do governo Bolsonaro? Por que não debater democraticamente esta questão a partir de janeiro de 2023, com um novo governo ou mesmo com o atual reeleito?

Graças à publicidade digital, liderada pelo Google, mas que conta com empresas concorrentes, muitos veículos de comunicação independentes floresceram no Brasil, sem depender do acesso ao grande capital. São financiados por assinaturas e pela publicidade que vem da sua audiência.

Isso não significa que não seja necessário debater a neutralidade dos algoritmos e a transparência dos mecanismos de busca, que afetam a audiência dos sites, assim como o combate à desinformação e ao discurso de ódio. Mas demonizar o Google neste momento só interessa à Globo.