Plataforma prioriza privacidade e é elo entre pessoas que buscam atendimento e psicólogos que não têm como se divulgar

Semanas antes de o coronavírus se tornar manchete principal no Brasil, os colegas Fabio Iamazaki e Flavio Vaz de Oliveira decidiram pôr em ação um plano que cultivavam há alguns anos: montar uma plataforma para psicólogos e pacientes consultarem virtualmente, tornando a terapia mais acessível para quem nunca teve acesso.

Os sócios não tinham como imaginar que o vírus não só tornaria obrigatório o atendimento online, como também afetaria a saúde mental de milhares de pessoas pelo Brasil. Na medida que a pandemia se tornava mais concreta, os três sócios perceberam que podiam usufruir da plataforma para ajudar quem precisasse.

Foram noites incansáveis de trabalho até nascer a Buscoterapia, conta Oliveira, psicólogo clínico há 10 anos e um dos sócios da startup. “Fizemos uma campanha no Instagram para atingir pessoas que estavam sofrendo na pandemia. Muitos psicólogos se juntaram a nós e fizemos diversos atendimentos gratuitos.”

A campanha “Plantão Psicológico”, como foi chamada, durou gratuitamente até dezembro de 2020. Teve foco na ansiedade porque o nervosismo “de não saber o que vai acontecer no próximo dia trouxe às pessoas esse sofrimento”, conta Oliveira. “E a ansiedade desencadeia outras coisas, como depressão, violência doméstica ou separação.”

Mesmo antes da pandemia, a OMS indicava que o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo, além de ser o país com a maior incidência de depressão na América Latina. No quesito individual, o contexto trazido pela quarentena não é melhor: houve um crescimento do consumo de bebidas alcoólicas e cigarros, enquanto hábitos como exercícios físicos e sono de qualidade perderam espaço.