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Alex Snow

Os Tu-160 visitaram a Venezuela em setembro de 2008, em outubro-novembro de 2013 e em 2018.

O bombardeiro de mísseis supersônicos Tu-160 (Blackjack, na denominação da Otan) é o avião de combate mais pesado do mundo.

Seu peso de decolagem é superior a 270 toneladas, e sua velocidade máxima na estratosfera é de 2.200 km/h. O bombardeiro é capaz de transportar 12 mísseis de cruzeiro de longo alcance com ogivas nucleares. A tripulação é composta por quatro pessoas.

Putin na cabine de um Tu-160

Desde o estabelecimento de relações bilaterais no campo da cooperação militar entre a Rússia e a Venezuela, não foi apenas uma vez que pilotos russos enfrentaram voos de doze e treze horas a bordo dessa máquina para chegar ao país caribenho.

Patrulhamento remoto até a Venezuela

Piloto de bombardeiro estratégico Tu-160 durante voo, 2020

Em 2008, dois porta-mísseis estratégicos Tu-160, o Aleksandr Molodtchi e o Vassíli Senko, da Aviação de Longo Alcance da Força Aérea Russa, desembarcaram na Venezuela como parte de uma patrulha aérea em áreas remotas, segundo a agência RIA Novosti.

 

‘Vassíli Senko’ em voo ao lado de um Su-27, 2007

A rota de voo foi definida sobre águas neutras dos oceanos Atlântico e Ártico.

Ao sobrevoar o Mar da Noruega, estava programado no ar um reabastecimento noturno dos porta-mísseis a partir de um avião-tanque IL-78.

Tu-160 e IL-78

Os bombardeiros Tu-160 chegaram à Venezuela em 10 de setembro, após um voo de 13 horas sem escalas. Durante o trajeto, os Tu-160 foram escoltados por caças F-16 da Força Aérea da Otan em áreas da Islândia e do Mar da Noruega. Embora capaz de transportar 12 mísseis de cruzeiro de longo alcance, os Tu-160 não carregavam armas nucleares a bordo.

Um voo desde o Volga

Tu-160 Aleksandr Novikov, um dos que viajou à Venezuela em 2013

De acordo com o plano de treinamento operacional de aviação de longo alcance da Força Aérea Russa, em 2013, dois bombardeiros supersônicos Tu-160 portadores de mísseis estratégicos chegados do país eslavo haviam feito um voo do aeródromo venezuelano de Maiquetía para o aeródromo de Manágua, na Nicarágua.

Segundo a agência RIA Novosti, as duas aeronaves “voaram sobre as águas neutras do Mar do Caribe, após as quais entraram no espaço aéreo da República da Nicarágua e fizeram um pouso de rotina”.

Durante essa missão de trânsito, a aeronave percorreu uma distância de mais de 2.500 km. A duração do voo foi de cerca de três horas.

 

Imagem de um Tu-160 em voo, 2013

Os aviões portadores de mísseis Tu-160 haviam decolado da base aérea de Engels, na região de Saratov, e realizaram o voo conforme o Plano de Treinamento Operacional de Aviação de Longo Alcance. Sobrevoaram o Caribe e a parte oriental do Oceano Pacífico, ao longo da costa sudoeste da América do Norte e fizeram o primeiro pouso no aeródromo de Maiquetía, na Nicarágua. O voo direto de 13 horas da Rússia cobriu 10.000 km de distância.

No aeródromo de Maiquetía, as tripulações das aeronaves foram recebidas em nome do presidente venezuelano Nicolás Maduro pela então ministra da Defesa Carmen Melendez.

Do Ártico ao Caribe

Em 2018, os porta-mísseis estratégicos Tu-160 fizeram uma visita internacional à Venezuela, segundo o Departamento de Informação e Comunicação de Massa do Ministério da Defesa.

 

Como informou a agência de notícias russa RIA Novosti na época, o voo dos porta-mísseis ocorreu no espaço aéreo sobre as águas do Oceano Atlântico, e dos mares do Caribe, da Noruega e de Barents. O avião percorreu mais de 12.000 quilômetros, reabastecendo no ar, e cumpriu rigorosamente as normas internacionais para o uso do espaço aéreo.

Os bombardeiros estratégicos russos Tu-160 desembarcaram no aeroporto internacional de Maiquetía, ao norte de Caracas, onde foram recebidos com todas as honras pelos militares venezuelanos.

 

Junto com os Tu-160, viajaram também um avião de transporte militar pesado AN-124 e um porta-aviões de longo alcance IL-62.

No transcorrer da visita, as tripulações russas de aviação de longo alcance realizaram um voo de rotina sobre o Mar do Caribe, praticando tarefas próximas ao equador em condições de alta umidade e temperatura. Além disso, os pilotos russos e venezuelanos realizaram voos conjuntos durante os quais os caças da Força Aérea venezuelana escoltaram os aviões russos em determinados estágios da viagem.

Publicado originalmente em Russia Beyond