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Teatro da Praça, em Taguatinga, e Cine Itapuã, no Gama, acumulam problemas estruturais, e população cobra reformas prometidas para os dois espaços

Pedro Marra

 

Inaugurado em 1966, o tradicional Teatro da Praça, em Taguatinga Centro, está há mais de dois anos sem oferecer qualquer espetáculo ao público. Em condições de abandono, o local acumula problemas: telhas quebradas, torneiras com vazamentos, áreas alagadas e partes do teto sem forro de gesso. Como forma de cobrar a recuperação desse celeiro artístico do Distrito Federal, representantes do Conselho Regional de Cultura de Taguatinga (CRCT) e artistas locais farão um protesto nesta terça-feira (11/1), às 9h, em frente ao espaço.

Presidente da CRCT, Cléria Costa conta que o último evento promovido no teatro foi o 14º Festival de Cinema de Taguatinga, de 2 a 5 de outubro de 2019. Ela reclama que o espaço tem sido subutilizado como depósito e que apresenta diversas telhas soltas ou quebradas. “Na época das chuvas do fim do ano passado, caiu o forro e entrou muita água pelo telhado, o que comprometeu a parte elétrica. Alguns bocais para lâmpadas se encheram de água”, relata a produtora cultural.

Em 5 de março último, o administrador regional de Taguatinga, Renato Andrade, e o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues, participaram de uma audiência pública virtual promovida pela Câmara Legislativa para tratar do assunto. Na ocasião, o administrador se comprometeu a pedir a elaboração de um projeto arquitetônico para o teatro, segundo Cléria Costa.

Perto da Praça do Relógio, que inspirou o nome do local, o teatro dispõe de 267 lugares. Nos anos 1980, o local recebeu, durante cinco anos, a Semana de Arte e Cultura, que incluíam exibições de filmes, além de apresentações de dança, música, artes cênicas e plásticas. No início da década seguinte, o espaço ficou esquecido pelo poder público — o que perdurou até 1996, quando passou a ser coordenado por convênio entre a Administração Regional de Taguatinga e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

Em nota, a Administração Regional informou que elaborou um projeto de reforma total do Teatro da Praça. “No material, consta a troca do telhado, de toda rede elétrica, do sistema hidráulico e (a instalação de) novos banheiros, com unidades para pessoas com deficiência.” No entanto, o documento destaca não haver, ainda, recursos definidos para o início das obras, que custariam cerca de R$ 3 milhões. “A administração está articulando com vários segmentos a viabilização financeira”, diz o texto. Ao Correio, o administrador Renato Andrade prometeu começar a reforma até junho.

  • Forro de gesso do Teatro da Praça, em Taguatinga, aberto
    Forro de gesso do Teatro da Praça, em Taguatinga, abertoArquivo pessoal

Melhorias

Em outras regiões administrativas, há situações semelhantes. Presidente do Conselho Regional de Cultura (CRC) do Gama, o diretor cultural Marco Augusto afirma que o Cine Itapuã, no Setor Leste da cidade, está abandonado desde 2005, sem teto ou cadeiras. “Lá também não tem palco, camarim, estrutura de iluminação, de sonorização nem acessibilidade modernizada”, denuncia. Além disso, ele critica a falta de transparência em relação ao projeto de reforma elaborado pela Secec, o qual não está disponível até hoje.

Com investimento de, aproximadamente, R$ 463 mil, a Secec iniciou obras no Cine Itapuã em outubro, com manutenção do telhado, serviço de impermeabilização em todas as paredes e pintura da fachada principal do prédio. A pasta comunicou que também promove reformas na Sala Martins Pena do antigo complexo Funarte — atual Centro Ibero-Americano de Cultura — e no Polo de Cinema, em Sobradinho.

  • Situação do Centro Cultural Itapuã — o Cine Itapuã —, no Setor Leste do Gama
    Situação do Centro Cultural Itapuã — o Cine Itapuã —, no Setor Leste do GamaMarco Augusto/Arquivo pessoal

Outro ponto de relevância para a arte no DF, o Teatro Nacional Cláudio Santoro aguarda melhorias. Na última quinta-feira (6/1), o governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou que a reforma do espaço, fechado há oito anos por não atender às normas de segurança e acessibilidade, deve começar neste primeiro semestre. O edital para a primeira etapa das obras na sala Martins Pena está em fase de conclusão, e tem previsão de sair neste mês.