Publicidade na internet: vale tudo? Entenda as regras 

ago 1, 2022
Sergio Pompilio toma posse da presidência do Conar, em São Paulo

Conar criou um guia para os influenciadores digitais para regulamentar a propaganda na internet e nas redes sociais

EDU GARDIA

A propaganda no mundo digital, apesar de ser nova e ainda bastante diferente das veiculadas nas televisões e rádios, é tema de debate do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

O órgão criou, recentemente, um guia para os influenciadores do que é considerado propaganda, do que é recomendável e o que vai ao encontro das recomendações gerais para publicidade.

O guia serve tão somente para nortear os influenciadores digitais, mas não tem poder de lei, já que o Conar não possui poder de polícia, ou seja, não pode aplicar multas ou determinar a retirada de conteúdo.

Por ser um órgão de autorregulamentação, depende da credibilidade e do respaldo das instituições para, quando o conselho de ética decidir que um conteúdo vai de encontro com as orientações, o próprio veículo tire do ar de forma espontânea.

Criado em 1980, nenhuma recomendação do conselho, até hoje, foi desrespeitada por qualquer empresa, o que, segundo presidente Sergio Pompilio, é “motivo de orgulho e resultado de anos de trabalho e credibilidade”. O advogado tomou posse em 25 de julho e afirmou que “a questão dos influencers é o grande desafio da gestão”.

A princípio, o guia define quais conteúdos são considerados publicidade. Veja os critérios:

• A divulgação de produto, serviço, causa ou outro sinal a eles associado;
• A compensação ou relação comercial, ainda que não financeira, com anunciante e/ou agência;
• A ingerência por parte do anunciante e/ou agência sobre o conteúdo da mensagem (controle editorial na postagem do Influenciador).

O documento é muito claro sobre a identificação da propaganda, ou seja, o criador de conteúdo precisa deixar claro para seus seguidores que aquela publicação se trata de publicidade, sobretudo quando o alvo são crianças ou adolescentes.

Essas publicações devem advertir o usuário com as palavras “publicidade”,
“publi”, “publipost” ou equivalente.

Os produtos recebidos como brinde, porém, não configuram conteúdo publicitário, justamente por não se encaixarem nos critérios acima, mas devem ser tratados como tal pelo influenciador digital.

De acordo com o presidente do Conar, apesar dos avanços recentes, “é necessário criar uma rede de contribuição para ampliar o diálogo e entender como isso afeta a publicidade como um todo”.

Pompilio conclui dizendo que “excessos acontecem, apesar de não serem exclusividade do ambiente digital”, mas ressalta que é justamente por conta desse problema que o Conar existe.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Lúcia Vinhas.