Pais entram em alerta sem remédios para crianças nas farmácias do DF

jun 30, 2022
Junto da mãe, Iza Garcia, 41 anos, enfrentou dificuldades para encontrar antibióticos nas farmácias do DF Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles

Segundo comerciantes de diversas redes da capital, os principais medicamentos em falta são xaropes, pastilhas e antibióticos infantis

Menina de cabelos lisos segura embalagens de remédiosGustavo Moreno/Metrópoles
Pais enfrentam dificuldades na hora de encontrar medicamentos para os filhos nas drogarias do Distrito Federal. Na Rua das Farmácias, principal referência para compra dos produtos no DF, localizada na 102 Sul, o Metrópoles verificou que xaropes e pastilhas utilizados para tratamentos de gripes e doenças respiratórias, além de antibióticos infantis, estão entre os principais remédios em falta.

“Fui nas duas principais redes de farmácias do Sudoeste, liguei em mais um monte de lugares e tenho uma amiga que é dona de farmácia. Em todos os canais, não consegui encontrar os medicamentos que o médico receitou para minha filha”, lamenta a editora do canal Roteiro Baby, Iza Garcia, 41 anos, mãe de Bruna Garcia, 11 anos (foto em destaque), que contraiu conjuntivite viral, há cerca de duas semanas, e precisou tomar antibióticos para tratar da enfermidade.

A solução foi substituir as doses líquidas do produto infantil pelos comprimidos do uso adulto. “Também não encontrei nenhum dos três medicamentos receitados para a limpeza nasal”, completa. Ela comentou ter recebido reclamações semelhantes de diversas mães quando publicou a situação nas redes sociais.

Medicamentos que estão em falta

De acordo com gerentes e farmacêuticos das unidades, a lista de medicamentos em falta é extensa. Antibióticos como: Amoxilina, Clavulanato, Azitromicina líquida, em todos os tamanhos, e Claritromicina em xarope não estão disponíveis nas prateleiras visitadas. O analgésico Paracetamol bebê também não é encontrado há meses nas gôndolas.

Foto: Gustavo Moreno/MetrópolesRemédios na prateleira

Dos produtos que chegam, esporadicamente, em baixas quantidades e acabam muito rápido encontram-se os analgésicos Dipirona injetável e xarope, soro fisiológico hospitalar e pastilhas para gargantas, como Strepsils e Benalet.

O medicamento Venvance, utilizado no tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), também entra na lista dos que ficam pouco tempo disponíveis. Além dele, o expectorante Acetilcisteina e o remédio utilizado para aliviar sintomas na rinite alérgica Desalex são comprados em grandes quantidades quando encontrados pelos consumidores e, por isso, são comprados com muita velocidade.

Para os profissionais, que pediram para não serem identificados, é bastante difícil fazer pedidos de compra dos medicamentos citados nas distribuidoras. Ainda, o aumento de infecções respiratórias, oriundo das mudanças climáticas, bem como o recente pico de casos de Covid-19 no DF estão entre os principais fatores que deram origem a este cenário.

Segundo o representante da categoria, os principais fatores que impactaram no desabastecimento são a pandemia de Covid-19, que ocasionou um aumento da demanda, concomitante a uma redução das atividades industriais. Também destaca que o conflito entre Rússia e Ucrânia gerou dificuldades para que a China ─ maior fornecedora de insumos e embalagens do mundo ─ conseguisse transportar os materiais.

O que diz o Conselho Federal de Farmácia

Procurado, o CFF informou, em nota, que a solução do problema passa pelo incremento da produção nacional tanto de matéria-prima, quanto dos medicamentos. O secretário-geral do conselho, Gustavo Pires, destacou que os relatos de falta de medicamentos em hospitais começaram em dezembro do ano passado e o desabastecimento em farmácias e drogarias iniciou-se há cerca de 60 dias. Veja a nota na íntegra:

“O Conselho Federal de farmácia (CFF) atribui o desabastecimento a falhas logísticas em razão da já repercutida descontinuidade de fabricação de alguns fármacos pela indústria, para priorizar medicamentos com maior demanda gerada pela pandemia de covid-19; da soma desse fator com a disseminação de epidemias, notadamente de síndromes respiratórias e doenças virais; da falta de matéria prima, em decorrência da guerra na Ucrânia e do lockdown na China, que impacta tanto a fabricação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), quanto a chegada ao país dos estoques já adquiridos, parados na origem pelo fechamento dos portos chineses; e da necessidade de substituir os medicamentos em falta, o que gera um efeito cascata, dificultando o acesso a estes fármacos que substituem aqueles com o abastecimento mais crítico.
Para o conselho, a solução do problema passa pelo incremento da produção nacional tanto de matéria-prima, quanto dos medicamentos; alternativas para o melhor planejamento de compras no serviço público, visando à manutenção dos estoques; e estratégias para um monitoramento mais eficiente dos estoques de medicamentos.
Todas as regiões do país foram afetadas e, pelo menos, 17 estados brasileiros e o Distrito Federal relatam o problema. São eles Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
A maior parte dos medicamentos em falta são formulações líquidas, o que afeta em especial os pacientes pediátricos, que têm mais facilidade de ingerir os medicamentos dessa forma. Segue relação das classes de medicamentos em falta:
• Antimicrobianos
• Mucolíticos
• Anti-histamínicos
• Analgésicos”