Bolsonaro-militares-STF-Lula (Foto: ABr | Ricardo Stuckert)

Reportagem assinada por Jack Nicas, chefe do escritório do jornal no Brasil, aponta que o risco é real e não pode ser subestimado

“Os líderes das Forças Armadas do Brasil de repente começaram a levantar dúvidas semelhantes sobre a integridade das eleições, apesar de poucas evidências de fraudes anteriores, aumentando as já altas tensões sobre a estabilidade da maior democracia da América Latina e sacudindo uma nação que sofria sob uma ditadura militar de 1964 a 1985”, prossegue o jornalista, lembrando que Bolsonaro sugeriu que os militares devem realizar sua própria contagem paralela.

Nicas cita a opinião de Almir Garnier Santos, comandante da Marinha. “O presidente da república é meu chefe, é meu comandante, tem o direito de dizer o que quiser”, disse Garnier Santos. “Quanto mais auditoria, melhor para o Brasil”, acrescenta o militar.

O correspondente internacional também levantou a seguinte questão para acadêmicos: se Bolsonaro contestasse a eleição, como os 340.000 membros das forças armadas reagiriam? “Nos EUA, os militares e a polícia respeitaram a lei, defenderam a Constituição”, disse Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “Não tenho certeza se a mesma coisa vai acontecer aqui.”

A reportagem também traz declarações ambíguas de Sérgio Etchegoyen, general aposentado do Exército próximo aos atuais líderes militares. “Podemos pensar que é ruim que o presidente questione as cédulas”, disse ele. “Mas é muito pior se a cada cinco minutos acharmos que a democracia está em risco.”

Segundo a reportagem, algumas autoridades americanas estão mais preocupadas com os cerca de meio milhão de policiais em todo o Brasil porque geralmente são menos profissionais e apoiam mais Bolsonaro do que os militares, de acordo com um funcionário do Departamento de Estado que falou sob condição de anonimato para discutir conversas privadas.