O Kremlin sabe das recomendações dos EUA para o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o líder argentino Alberto Fernandez cancelarem as suas visitas à Rússia, mas o Brasil e a Argentina são países independentes que decidem por si próprios como tratar seus assuntos de política externa, disse ontem (2) o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov.
Em dezembro passado, o presidente Vladimir Putin convidou Bolsonaro para visitar Moscou em fevereiro. Segundo o jornal Folha de São Paulo, agora os EUA alertaram o líder brasileiro de que a visita pode ser interpretada como a escolha de um dos lados na crise ucraniana e pressionaram Bolsonaro a cancelar a viagem.
“No que diz respeito às visitas [de líderes] da América Latina, em particular a visita de Fernandez amanhã (3) e a do presidente Bolsonaro daqui a cerca de duas semanas, – estamos a par, lemos a imprensa e sabemos de informação de outras fontes [que foi dito] para os líderes do Brasil e Argentina se absterem de contatos com a Rússia. Mas estes são Estados grandes e conceituados que decidem por si próprios como conduzir os assuntos externos, com quem realizar contatos e que países visitar”, disse Ushakov aos jornalistas.
De acordo com ele, o Kremlin está convencido de que não haverá “interferências sérias” e que nada afetará a realização das visitas, uma vez que elas vão beneficiar os três países.
Presidente Jair Bolsonaro recebe o presidente Vladimir Putin, da Rússia, na reunião de cúpula do BRICS, 14 de novembro de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 01.02.2022

Em 1º de fevereiro, Bolsonaro disse em entrevista que não tinha intenção de levantar a questão da crise ucraniana durante a reunião com Vladimir Putin, acrescentando que as conversações no essencial seriam sobre fertilizantes. As partes também devem discutir uma ampla pauta de relações bilaterais no âmbito do BRICS, que não têm nada a ver com a situação geopolítica no Leste Europeu.