O deputado distrital Leandro Grass (PV) apresentou requerimento para questionar o governo do Distrito Federal sobre problemas na implantação do BRT em Ceilândia. A questão foi apontada durante audiência pública promovida, na segunda-feira (6), pela Câmara Legislativa sobre as obras na Avenida Hélio Prates.

No evento, realizado por iniciativa de Leandro em parceria com os deputados Reginaldo Veras (PV) e Chico Vigilante (PT), moradores e comerciantes da região manifestaram preocupação com os impactos das obras. Um dos questionamentos chamou a atenção para a inconsistência no projeto. “O governo diz que o BRT vai passar pelo canteiro central, mas estão fazendo estrutura de concreto na pista lateral só para os ônibus e não no local previsto. Isso vai tirar os retornos da avenida e acabar com a cidade”, afirmou um comerciante.

O representante da Secretaria Obras do DF, presente na audiência, confirmou ser essa a previsão do projeto, o que, segundo os parlamentares, pode provocar gasto excessivo de recursos públicos e dificuldade de mobilidade da população. “Como ficarão os retornos e cruzamentos da Avenida? Serão destruídos? Há planos de mantê-los?”, pontua Leandro Grass no requerimento.

Leia aqui os requerimentos de Leandro Grass destinados à Secretaria de Obras e à Secretaria de Mobilidade

Mais reclamações

Os comerciantes também criticaram o impacto na circulação de pessoas e veículos no local. “Com a interdição, o governo fechou nosso direito de ir e vir. As carretas que entregam material não estão mais conseguindo entrar na minha empresa, não sei o que faço para manter meus funcionários”, comentou Joel Pinheiro.

Os participantes do evento questionaram a falta de diálogo do governo sobre a obra. “Estamos cansados de falar e não sermos ouvidos. A pessoa que fez esse projeto nunca deve ter pisado em Ceilândia e desenhou tudo no ar condicionado lá no Plano Piloto “, ironizou o comerciante Demi Glauber.

Ao final da audiência, Leandro Grass destacou o papel fiscalizador do Legislativo, indicando encaminhamentos para solucionar os problemas apontados. “Toda obra tem impactos, mas precisamos amenizar os efeitos negativos, promovendo, por exemplo, uma contrapartida a esses comerciantes para evitar o fechamento de mais empresas da região”, comentou. “Sugerimos a criação de uma câmara de conciliação para debater uma compensação financeira dos prejuízos provocados pela obra, como a isenção de IPTU e um programa de microcrédito”.

Assista à íntegra da audiência pública em Ceilândia