Amostras colhidas entre 19 e 23 de novembro apontaram presença da nova cepa. Pelo menos 10 países da UE confirmaram casos da nova variedade, todos com sintomas leves, enquanto permanecem dúvidas sobre sua resistência às vacinas

Aviso aos leitores: o EL PAÍS mantém abertas as informações essenciais sobre o coronavírus durante a crise. Se você quer apoiar nosso jornalismo, clique aqui para assinar.

O Instituto Holandês de Saúde e Meio Ambiente (RIVM, na sigla em holandês) anunciou nesta terça-feira a descoberta da presença da nova variante ômicron do coronavírus em amostras colhidas há pelo menos 11 dias. Isso indica que essa linhagem já estava presente em solo europeu antes dos primeiros casos serem detectados na África do Sul. Qualificado como “preocupante” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua disseminação mais rápida e maior resistência a tratamentos, seu aparecimento gerou uma reação em cadeia para conter infecções. A União Europeia (UE) protegeu-se suspendendo voos com sete países do sul da África e os contactos entre cidadãos foram limitados. Os Estados Unidos tomaram medidas semelhantes em relação à região africana, e as restrições anunciadas na última sexta-feira pela Casa Branca entraram em vigor na segunda-feira.

Na última sexta-feira, 61 pessoas que chegaram em dois voos da África do Sul testaram positivo para coronavírus quando pousaram no aeroporto de Amsterdam-Schiphol. Destes, 14 tinham a variante ômicron, de um total de 624 passageiros. “No decorrer das investigações feitas em laboratório, foram encontradas variações da própria ômicron. Isso significa que provavelmente as pessoas foram infectadas separadamente e que a origem e o local também eram diferentes “, diz o RIVM.

Nos próximos dias, o RIVM realizará diversos estudos sobre a distribuição da variante pela Holanda. Amostras de pessoas com resultado positivo no retorno da África do Sul, bem como amostras mais antigas mantidas por laboratórios que agora examinam resultados de PCR regularmente, “e que mostraram anormalidades na proteína, serão testadas novamente”. O instituto indica que a linhagem ômicron está sendo monitorada internacionalmente, para saber o quão contagiosa ela é e o efeito das vacinas atuais.

Até agora, 42 casos da ômicron foram confirmados em 10 países da União Europeia, conforme explicado no Parlamento Europeu por Andrea Ammon, presidente do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). Casos também foram detectados no Canadá, Japão e Austrália.

Na Espanha, após a confirmação de um caso da variante ômicron nesta segunda-feira na capital, a Comunidade de Madrid estuda se um segundo caso positivo para coronavírus, o de um passageiro da África do Sul com escala em Amsterdã, corresponde à nova cepa, conforme relatado por fontes do Ministério da Saúde. Dois outros casos também estão sendo investigados na Catalunha. A Ministra da Saúde, Carolina Darias, declarou: “O positivo para ômicron detectado em Madrid apresenta sintomas leves. O casal da Catalunha também está sendo monitorado. Na sexta-feira passada, quando Von der Leyen instou os membros a articularem medidas, lançamos a ordem de quarentena, e hoje o Conselho vai aprovar as limitações de vôo “.

Da Europa aos Estados Unidos, passando pela África do Sul, as autoridades têm insistido na importância da vacinação. O Reino Unido e os Estados Unidos aumentaram seus programas de doses de reforço. E na Grécia, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, anunciou que a partir de janeiro todas as pessoas com mais de 60 anos devem ser vacinadas contra a covid-19 e, caso não o façam, serão multadas em 100 euros. Enquanto isso, na Alemanha, um dos países europeus mais atingidos por uma nova onda de covid-19, a incidência do coronavírus parou de aumentar após picos sucessivos dia após dia desde o início de novembro.

As dúvidas sobre a eficácia das vacinas contra a nova variante permanecem sem solução, no entanto. O CEO da Moderna, Stéphane Bancel, em entrevista ao Financial Times, afirmou acreditar que as vacinas atuais contra o covid-19 serão “muito menos eficazes” contra a ômicron do que as cepas anteriores do coronavírus. Além disso, ele estima que ainda levará meses para que as vacinas específicas contra essa nova variante sejam fabricadas em grandes quantidades. O diretor da Agência Europeia de Medicamentos, Emer Cooke, disse na terça-feira que a agência tem planos de acelerar a adaptação das vacinas à ômicron se necessário, processo que ele estima que levará entre três e quatro meses.