Os Estados Unidos conduziram secretamente um teste com um míssil hipersônico no meio de março, ação que foi considerada um sucesso. O país, porém, optou por manter a atividade em segredo para “evitar que as tensões com a Rússia se escalassem”. As informações foram divulgadas pela emissora CNN nesta segunda-feira (4).
Washington manteve o silêncio enquanto o presidente do país, Joe Biden, viajava pela Europa. A mídia cita uma fonte do Ministério da Defesa para sustentar a reportagem.
De acordo com o canal de televisão, os Estados Unidos lançaram o míssil hipersônico a partir de um bombardeiro B-52.

Cancelamento de outro teste

Na última semana, os Estados Unidos anunciaram que cancelaram um teste de lançamento do míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) nuclear Minuteman III que, inicialmente, havia sido adiado.
O cancelamento ocorreu devido a tensões nucleares com a Rússia, segundo confirmou um porta-voz da Força Aérea dos EUA à Sputnik na sexta-feira (1º).
A precaução do país veio em meio à operação militar especial da Rússia na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro.
Após a confirmação, a porta-voz da Força Aérea dos EUA, Ann Stefanek, emitiu um comunicado formal a respeito do cancelamento.
O texto argumenta que a revogação do teste ocorreu para evitar má interpretação ou falta de comunicação em relação à operação especial russa.
“O Departamento da Força Aérea cancelou recentemente o voo de teste rotineiramente planejado de um míssil LGM-30G Minuteman III programado para março de 2022. O lançamento havia sido adiado anteriormente devido a uma superabundância de cautela em evitar erros de interpretação ou falta de comunicação [durante a operação especial da Rússia na Ucrânia, que ainda está em andamento] e foi cancelado pelo mesmo motivo. Nosso próximo voo de teste planejado ocorrerá ainda neste ano. O Departamento está confiante na prontidão das forças estratégicas dos Estados Unidos”, diz a nota.
No começo de março, o Pentágono havia anunciado a suspensão do míssil.
O lançamento estava programado para o primeiro fim de semana do mês passado, mas não foi realizado devido às altas tensões com a Federação da Rússia, onde as forças nucleares foram colocadas em alerta máximo.
“Em um esforço para demonstrar que não temos intenção de participar de ações que poderiam ser mal interpretadas, nosso lançamento de teste do Minutemen III será adiado”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em 2 de março.
Ele acrescentou que os EUA gostariam de ver a Rússia retribuir e adotar mudanças em relação à sua postura nuclear.

Futuro nuclear

Em dezembro, o Departamento de Defesa encomendou ao think tank norte-americano Fundo Carnegie para a Paz Internacional (CEIP, na sigla em inglês) a elaboração de um relatório sobre o futuro do programa de mísseis balísticos intercontinentais dos EUA.
De acordo com o The Guardian, o think tank apresentaria opções baseadas em três rodadas de consultas virtuais entre funcionários do Pentágono, especialistas em armas nucleares e defensores do controle de armas.
O intuito era que o CEIP desenvolvesse um estudo independente sobre o papel das armas nucleares na defesa dos EUA, segundo a mídia.
À época a meta era de que os estudos acerca do programa resultassem em um relatório, que seria definido até janeiro de 2022 e posteriormente entregue à Casa Branca.