Sergio Moro e Deltan Dallagnol (Foto: Reuters/Adriano Machado | Agência Brasil/Fernando Frazão | Reprodução)

Ex-integrante do conselho de administração da Camargo Corrêa, Carlos Pires afirma que “todas as empresas de construção” foram prejudicadas pela Lava Jato: “desapareceram”

 

 Ex-integrante do conselho de administração da construtora Camargo Corrêa, Carlos Pires Oliveira Dias, em entrevista ao Estado de S. Paulo, classificou a Lava Jato como “traumática” e criticou o modo com que a operação destruiu o setor de engenharia brasileiro. Segundo estudo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Lava Jato destruiu 4,4 milhões de empregos e custou 3,6% do PIB.

“Não tem como dizer que a Lava Jato não foi traumática, não só para a Camargo Corrêa, mas para todo o setor de construção pesada no Brasil, como é notório”, disse.

Para Pires, eventuais “malfeitos” cometidos por agentes de qualquer empresa não deveriam justificar a destruição da companhia. “Todas as empresas de construção afetadas por essa crise praticamente desapareceram. Era um patrimônio do Brasil, um reconhecimento internacional da nossa capacidade. Aí você pode até me perguntar: ‘Bom, mas como é que poderiam ser penalizados os malfeitos?’ Eu não sei, mas o método utilizado destruiu essas empresas”.

“Semana passada, saiu até nos jornais, uma grande empresa sofreu uma ação do governo americano, dos governos europeus, inclusive do brasileiro. Um acordo com esses governos pelos malfeitos praticados. Foram multados em mais de US$ 1 bilhão, o que deixou a empresa obviamente machucada. Mas não morreu, continua operando etc e tal. Talvez tenha faltado, antes, exatamente essa compreensão dos meios jurídicos”, complementou.
Como retrato do impacto causado pela Lava Jato, Pires contou que antes da operação a construtora contava com 75 mil funcionários. O número caiu para 50 mil durante as ações da força-tarefa e atualmente está em 10 mil.