Consciente que sou do parquíssimo domínio de minha língua mater, devo confessar: não tenho não tenho conhecimento de um adjetivo que eu possa usar para expressar como estou vendo o Brasil  pós junho/2013.

Em breves dias farei 62 anos. Enquanto explodiam fogos de artifícios no planalto inaugurando Brasília, no nordeste minha mãe trazia-me à luz.

Nesse período e existência, vi e  ouvi falar de horrores. Ouvi falar de homens maus que de posse do poder, mataram milhões, assassinos e ladrões que matavam inocentes para lhes tirar as últimas posses e ou mesmo o que lhes restava de dignidade.

Vi almas esquálidas vagando pelas ruas suplicando aos transeuntes a caridade de um pedaço de pão.

Para não morrerem de fome e evitar a morte de sua prole, vi  homens e mulheres fazerem arrastões em atacadistas, lojas de secos e molhados saqueando-os para em seguida correrem para suas moradas com o que conseguiram pegar sobre os ombros. Nas mais das vezes sacos de farinha de mandioca, de feijão, uma caixa de peixe seco ou um fardo de charque. Lá nas suas comunidades o “butim” era repartido entre todos e a morte certa adiada por mais alguns dias.

As cenas acima,  presenciei ainda infante. Basta, portanto uma simples operação matemática para  saber que se deram nos anos 60/70 no nordeste brasileiro. De lá saí para o serviço militar. Não que a carreira me atraísse, mas muito mais pela certeza que no quartel não passaria fome. Lá, ainda adolescente, surpreendeu-me que a maioria da turma que fiz parte, lá estava. Pelo mesmo motivo.

Mas o tempo,  passa para todos e em alguns apagam a memória. Tivemos um tempo de trégua da fome, miséria, necessidades não supridas. E eis que muitos creram que estavam em porto seguro e se acharam autossuficientes, e até ricos. Que faziam parte da elite e foram seguir e apoiar e gritar contra quem lhes promoviam condições de uma vida digna. Apoiaram pessoas como o tal medíocre apresentador de programa de televisão que puxou o grito que ecoou no mundo inteiro, mandando a então presidenta da república, Dilma Rousseff “tomar no c*.

Achou-se então que estávamos no fundo do poço. Em seguida achou-se que o fundo do poço era a derrota de 7 x 1 para a equipe alemã em pleno maracanã. A Meca do futebol nacional.

Mais uma vez, enganados. Acreditaram que um governo de esquerda levaria o país aonde nenhum país do mundo logrou chegar: Ao comunismo.

A turba animada pela mídia-escrava gritava e dançava na rua contra a mão que lhes segurava a queda. A televisão falou mais alto e vendeu a dignidade, o bem-estar e as riquezas de uma nação por meras “trinta moedas”.

E então voltamos, aos saques em busca de comida, a falta de médicos,  a insuficiência para compra de comida e medicamentos. A falta de escolas, a insegurança de transitar nas ruas com um pouco de tranquilidade. A precariedade nos transporte que nos levaram aonde tenhamos necessidade, etc. Voltamos a ouvir os gritos de destempero de quem está no poder e destes mesmos, o deboche ao dizer que o povo deve pagar o “Viagra” que ele quer tomar (com qual finalidade não se sabe) ou dizer a quem os indaga sobre gastos tão desnecessários ao governo que espere 100 anos para saber a resposta.

Alguns dirão que agora estamos no fundo do poço. Já eu, acredito que ainda existem ao menos uns três subsolos, mas que não queiramos saber o que lá existe, afinal a curiosidade matou o gato.