Líder do movimento negro trocou o Psol pelo PT e diz que todos de esquerda devem buscar unidade em torno do ex-presidente e do ex-prefeito de São Paulo

 “Temos o desafio e a necessidade de construir uma frente ampla para, no curto prazo, derrotar Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e, no longo prazo, enfrentar o bolsonarismo —feito erva daninha, ele continuará brotando nas esquinas do nosso país.  Se há uma força política trabalhando efetivamente para essa construção e que está dialogando com os diferentes, apesar de tantas feridas ainda abertas, são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad e o Partido dos Trabalhadores”, escreve Douglas Belchior, líder do movimento negro no Brasil, que deixou o Psol e hoje se filia ao Partido dos Trabalhadores, em artigo publicado no Folha de S. Paulo.

“O exercício de construção dessa frente tem se desenvolvido pelo país afora e encontra, em São Paulo, uma discussão acalorada sobre qual seria a candidatura progressista unitária para o governo do estado. O cenário de devastação em que vivemos deveria significar um choque de realidade suficiente para se perceber que ter um partido forte e estruturado, presente em todo o estado e com base social consolidada, além de um bom e experimentado postulante —acompanhado da candidatura presidencial do principal oponente de Bolsonaro—, são elementos fundamentais para a viabilidade de uma chapa contra o conservadorismo paulista”, prossegue.

Ele lembra que Haddad, como ministro da Educação do governo Lula, deixou um legado inquestionável no enfrentamento às desigualdades socioeducacionais. “Num país em que governos sempre defenderam, equivocadamente, políticas universais como suficientes para a garantia de acesso à educação e padrão de qualidade do ensino, Haddad —a partir de muito diálogo e tensão por parte de movimentos sociais e do movimento negro— efetivou políticas focadas na diminuição do abismo social entre brancos e negros. O desenvolvimento das políticas de cotas raciais nas universidades públicas, a criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), o Prouni, a homologação das diretrizes curriculares para a educação escolar quilombola, a ampliação da lei 10.639/2003, que inclui no currículo da rede de ensino a obrigatoriedade da história e da cultura afro-brasileira e indígena. Sou professor, e esse histórico me toca”, escreve.