Segundo levantamento de sindicato, 12 turmas foram suspensas em uma semana. Pais reclamam de falta de protocolos em instituições privadas

 

Após dois meses de queda nos indicadores que medem a incidência da Covid-19, com diminuição constante nos números de casos ativos, mortes e taxa de transmissão da doença, os números da pandemia voltam a crescer no Distrito Federal. O aumento de casos, registrado em todo o Brasil, levantou a possibilidade de uma 4ª onda da doença.

No ambiente escolar, essa tendência fica mais nítida com a multiplicação de turmas deslocadas para o modelo remoto após casos positivos de Covid. Desde a última quinta-feira (26/5), 12 turmas do sistema privado de ensino foram para o modelo on-line após registros da doença. O levantamento foi feito pelo Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares (Sinproep).

“Ontem apertei o meu filho para saber se ele usa máscara em sala. Ele vê os colegas sem máscara e é lógico que vai tirar. A pandemia não acabou! Como a professora entra na sala de aula sem máscara? Como os funcionários não usam máscara? Por que a Secretaria de Saúde diz que não precisa mais usar?”, questiona a responsável, que pediu para não ser identificada.

Veja fotos da volta às aulas nas escolas particulares em 2022:

“Esse aumento é fato constatado, a associação espera que fazendo um controle preventivo, com uso de máscaras e protocolos, não precise chegar a fechar a escola. Isso vem acontecendo com a suspensão de turmas”, explicou Alexandre .

O aumento de casos de Covid no ambiente escolar também é constatado pelos dados oficiais do sistema Monitora Escola, da Secretaria de Saúde. De acordo com o levantamento, em abril, entre escolas públicas e particulares do DF, foram registrados 27 casos positivos. No mês seguinte, foram 528.

O uso de máscaras para combater essa tendência de crescimento também é consenso entre os sindicatos, seja os de trabalhadores ou os patronais. O Sinproep e o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe-DF) pediram o retorno do equipamento de proteção.

“Os trabalhadores têm opção de continuar com a utilização das máscaras, mesmo que a decisão da escola seja por desobrigar o uso”, afirmou o Sinproep em nota. “A escola pode ter um protocolo mais rígido que o decreto vigente. As escolas têm autonomia para pedir a volta do uso de máscara caso a contaminação esteja elevada”, orienta a presidente do Sinepe, Ana Elisa Dumont.

Esse não é o entendimento em algumas unidades de ensino, como o COC do Jardim Botânico. Segundo o pai de um estudante de 11 anos, que também pediu para não ser identificado, a escola teria mais de 30 casos de Covid-19, mas que não foram contabilizados por falta de testes.

“Para as pessoas agora não existe mais pandemia. Todo mundo sem máscara e mandando o filho com febre e tossindo para a escola. Quando você vai conversar com a direção eles dizem que não podem fazer nada, porque não é mais obrigatório e não existe protocolo. Não concordo com isso”, protestou o pai.

O que dizem as instituições

Metrópoles procurou a direção do COC para comentar a situação da Covid no colégio, mas até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras. Já o Sigma afirmou que mantém rígido protocolo e que a equipe pedagógica é orientada a manter o uso contínuo de máscaras.

Veja o posicionamento do Sigma na íntegra:

“A escola mantém rígido protocolo, orientado pela Vigilância Sanitária, para manter a segurança das atividades, prezando pela saúde de todos, no período pós-Covid. Entre as medidas estão a orientação para a equipe pedagógica do uso contínuo de máscara de proteção facial em todos os espaços da escola, a higienização constante com álcool em gel, salas com janelas e portas abertas para ventilação, orientação contínua e vigilante aos alunos e familiares sobre os cuidados para evitar a contaminação e a sinalização dos espaços.

Com o objetivo de sempre oferecer segurança e conforto a toda comunidade escolar, especialmente, aos alunos e professores, toda equipe pedagógica, as salas de aula e demais ambientes de aprendizagem estão preparados para atendimento remoto ou híbrido.

Caso o aluno não possa comparecer às aulas presenciais, devido à confirmação e/ou à suspeita de contaminação por Covid-19, ele terá acesso a todo o conteúdo dado em sala de aula, por meio de nossas plataformas digitais. Em turmas com risco de contaminação interna do novo coronavírus, as aulas presenciais serão suspensas e disponibilizadas no formato on-line para todos os estudantes.”

Veja o posicionamento do Sinproep na íntegra:

Divulgaçãotexto

Veja a fala da presidente do Sinepe na íntegra: