O presidente russo, Vladimir Putin, agradeceu os esforços de seu equivalente francês, Emmanuel Macron, para buscar estabilidade e reduzir as tensões entre Rússia e OTAN. Os dois líderes realizaram um encontro oficial nesta segunda-feira (7) em Moscou.

Em sua fala, Putin agradeceu os esforços de Macron para melhorar as relações entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte e classificou o encontro com o presidente francês de forma positiva, destacando que ideias propostas por Paris na reunião poderão ser utilizadas para promover o diálogo.

Durante a coletiva, Putin ressaltou que a OTAN enxerga a Rússia como adversária e afirmou que questões de garantia de segurança foram discutidas durante o diálogo. O presidente russo destacou que os membros da aliança ocidental têm inundado a Ucrânia com armamento militar.

Putin também pontuou que as principais preocupações da Rússia em relação às suas garantias de segurança foram ignoradas pela Casa Branca e pela OTAN. O líder russo elencou os três pontos-chave para essas garantias: prevenir a expansão da aliança para o leste, impedir a implantação de sistemas de armas de ataque perto das fronteiras russas, e o retorno da OTAN ao potencial e infraestrutura militar de 1997, quando um tratado da aliança com Moscou foi assinado.

“São precisamente essas nossas preocupações centrais que infelizmente foram ignoradas nas respostas recebidas em 26 de janeiro pelos EUA e OTAN. Além disso, os aliados ocidentais mais uma vez se referiram ao fato de que cada Estado tem o direito de escolher livremente as formas de garantir sua segurança e entrar em quaisquer alianças e blocos militares. Nós, de fato, nunca falamos contra isso. E é verdade, que esses blocos e alianças também não têm a obrigação de aceitar todos que queiram fazer parte. Essa também é uma coisa óbvia”, disse Putin.

Putin destacou que o princípio de “portas-abertas” da OTAN serve principalmente aos interesses dos EUA e “talvez” a alguns membros individuais da aliança. O presidente russo apontou que esse princípio, “como se sabe, inclui a obrigação de não reforçar a própria segurança em detrimento da segurança de outros Estados”.

“Gostaria também de observar que eles ainda estão tentando tranquilizar a Rússia com argumentos de que a OTAN é uma organização pacífica e puramente defensiva, uma aliança puramente defensiva. Cidadãos de muitos Estados viram por experiência própria quanto isso é verdade”, ironizou, citando exemplos como Iraque, Líbia e Afeganistão.

O presidente russo, Vladimir Putin, ouve o presidente francês Emmanuel Macron durante uma videoconferência na residência Novo-Ogaryovo nos arredores de Moscou, Rússia, sexta-feira, 26 de junho de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 07.02.2022
O presidente russo, Vladimir Putin, ouve o presidente francês Emmanuel Macron durante uma videoconferência na residência Novo-Ogaryovo nos arredores de Moscou, Rússia, sexta-feira, 26 de junho de 2020
Putin lembrou ainda que a Rússia foi designada como adversária na estratégia militar oficial publicada pela OTAN.
“Entre outras coisas, não podemos ignorar isso: na estratégia militar da OTAN de 2019, a Rússia é nomeada diretamente como adversária e principal ameaça à sua segurança. A OTAN nos designou como adversários”, disse Putin.
A reunião entre Putin e Macron ocorreu no contexto das tensões fronteiriças na Ucrânia, o que tem mobilizado esforços diplomáticos na região. Os EUA e aliados europeus acusam a Rússia de acumular tropas na fronteira do país vizinho com a intenção de invadi-lo. Moscou nega as acusações e ressalta suas preocupações com as movimentações da OTAN perto de suas fronteiras.