Ex-juiz admite que a Lava Jato combateu o PT

Paulo Guedes, ministro da Economia, que fala demais e manda de menos no seu pedaço, tem por hábito acusar a imprensa de “tirar de contexto” as coisas que diz. Seduzido pela própria voz, encantado com a sua inteligência, ele já falou barbaridades e foi obrigado a se desculpar depois.

O ex-juiz Sérgio Moro, aspirante a candidato nem Lula, nem Bolsonaro, arrisca-se a ir pelo mesmo caminho, com uma diferença, porém: não é tão inteligente quanto o ministro. E por mais que tenha se entregue aos cuidados de uma fonoaudióloga, sua voz de pato continua irritante como sempre.

Ou não tem quem o oriente para não derrapar em palavras, ou tem, mas ele ainda não aprendeu. Em entrevista à Rádio Capital FM, do Mato Grosso, Moro admitiu que a Operação Lava Jato combateu o PT de forma efetiva e eficaz. Lula deu pulinhos de felicidade ao saber. O que Moro disse à sua maneira confusa:

“Como é que a gente pode defender um governo desses? Com pessoas [com fome] da fila de ossos, um governo que foi negligente com as vacinas, um governo que ofende as pessoas, um governo que desmantelou o combate à corrupção. Tudo por medo do quê? Do PT? Não. Tem gente que combateu o PT na história de uma maneira mais efetiva e eficaz. A Lava Jato”.

Logo em seguida, tentou emendar-se dizendo que a Lava Jato apenas descobriu “os esquemas de corrupção e mostrou o que o PT verdadeiramente é”, mas já era tarde. No Twitter, escreveu Simão Pedro, ex-deputado estadual e ex-secretário da gestão Fernando Haddad, em São Paulo:

“Deveria estar preso e não disputando cargo político. Nojo”.

Comentou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP):

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“Justiceiro, criminoso”.

Gleisi Hoffmann, presidente do partido, deitou e rolou, impiedosa:

“Moro escancara sua parcialidade e confessa que Lava Jato foi pra combater o PT. O projeto político sempre esteve claro, a toga só foi um trampolim. Ajudou a eleger um traste e a destruir o país e agora se apresenta como solução. Juiz corrupto e cara de pau!”

O ex-juiz, que se comportou de forma parcial na condução dos processos contra Lula, segundo o Supremo Tribunal Federal, foi choramingar nas redes sociais. Apresentou-se como vítima de notícias falsas. Deveria ter escalado outras pessoas para saírem em sua defesa. Amadorismo com menos votos se paga.