Cândida Xavier da Costa, 90 anos, viveu com o artista plástico Athos Bulcão por décadas, em Brasília. Os herdeiros dele são quatro sobrinhos

 

Fotografia colorida mostra idosa com máscara rosaGustavo Moreno/Metrópoles

A ex-governanta e companheira de Athos Bulcão, Cândida Xavier da Costa, 90 anos, foi obrigada a deixar os imóveis que eram do artista e que ela utilizava há mais de uma década, na Asa Sul, área central de Brasília.

À coluna, Cândida disse que teve Covid-19, precisou ser intubada e hoje ainda se sente fraca. Ela afirmou que, sem os apartamentos, ficará na casa de uma amiga que considera como filha. “Eu não estava esperando sair. Foi um susto”, declarou.

O advogado da idosa, Eduardo Dantas Ramos Júnior, entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a saída de Cândida dos imóveis. Ainda não há decisão sobre o tema. O advogado alegou que a retomada dos imóveis pelos herdeiros de Athos Bulcão poderá colocar em risco o “direito de habitação e à saúde”.

Segundo a defesa de Cândida, ela tem direito de receber R$ 290 mil por ter pagado as despesas dos apartamentos de 2009 até março de 2022. Nesse período, ela teria custeado as contas de energia, taxa de condomínio, assinatura de telefone, TV, honorários periciais, entre outros serviços.

O artista plástico conhecido por seus azulejos que estampam paredes de Brasília, como a Igrejinha, morreu em 2008, com 90 anos. Athos Bulcão não teve filhos e seus herdeiros reconhecidos judicialmente são três sobrinhas e um sobrinho.

Confira algumas obras de Athos Bulcão expostas durante o centenário do artista:

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Por meio de nota, os herdeiros de Athos Bulcão disseram que uma decisão judicial, expedida no último dia 14 de março, deu a eles os bens e as obras de arte integrantes do espólio do artista.

Segundo os sobrinhos, os apartamentos de Athos Bulcão na Asa Sul armazenavam “um importante acervo do artista, tanto autoral, quanto de outros autores”. “A família está em harmonia e ciente da importância em manter o respeito à memória do artista. A conclusão do inventário permitirá que esse valioso acervo seja exposto, pois muito mais do que o valor patrimonial, os bens do espólio apresentam um valor histórico e cultural”, afirmaram.

Os herdeiros de Athos Bulcão afirmaram que a defesa da ex-governanta sabia da necessidade de desocupação dos imóveis, “mas mesmo assim ela se manteve, razão pela qual teve que ser feita a imissão na posse, com a transferência do imóvel da Sra. Cândida para os herdeiros do Athos Bulcão”.

Eles disseram que Athos Bulcão deixou um apartamento para Cândida, também na Asa Sul e, portanto, a idosa “está bem amparada”.

“O processo levou mais de 15 anos e percorreu todas as instâncias judiciais. Durante todo esse período a Sra. Cândida residiu no imóvel sem arcar com qualquer valor a título de aluguel”, pontuaram.